The Art of Building: Openbook

A The Art of Building falou com João Cortes sobre arquitetura, a evolução dos espaços de trabalho, o processo criativo da Openbook e a importância de contar com parceiros como a Vector Mais, capazes de transformar ideias em realidade.

Os quatro sócios-fundadores da Openbook: Pedro Pires, João Cortes, Rodrigo Sampayo e Paulo Jervell

Já lá vão quase duas décadas desde que João Cortes, Paulo Jervell, Rodrigo Sampayo e Pedro Pires fundaram a Openbook, hoje um dos mais importantes ateliers de arquitetura em Portugal. É no atelier, na sala onde surgem muitas das ideias para projetos de clientes que João Cortes, sócio fundador do atelier, nos recebe. Nas paredes e no tecto encontram-se desenhos, amostras, cerâmicas e protótipos, que serviram de base à apresentação de projetos. A entrevista decorre numa mesa comunitária desenhada internamente e mandada fazer a um artesão, “não tem parafusos, mas não mexe. É tudo encaixe”, explica-nos o arquiteto. Ali mesmo ao lado, está uma cadeira também desenhada pelo atelier, inspirada em linhas japonesas, é um protótipo mas já ganhou um prémio e um dia há-de ser produzida.

Fundada em 2007, a Openbook foi considerada em 2024 pela Architizer como uma das 220 melhores empresas de arquitetura e design do mundo. O atelier líder neste setor foi responsável por projetos de renome como as sedes do BNP, da Cloudflare e da Deloitte ou pela requalificação do terraço e galerias do Hotel Ritz, só para enumerar alguns. “Fizemos 80% das sedes corporativas nacionais e isto inclui consultoras, advogados, bancos, entre outros” adianta João Cortes.

Mais espacialidade e espaços abertos, corredores alargados, maior ligação dos partners e gestores ao resto dos colaboradores, zonas lounge, introdução de phone booths são algumas das tendências que o arquiteto aponta, como as grandes alterações que os espaços de trabalho se têm deparado nos últimos anos. “Lembro-me de ir a escritórios com corredores com pouco mais de 90 centímetros, um pé direito com 2,30m, gabinetes, gabinetes, gabinetes... as pessoas mal se viam” conta.

Qualquer semelhança com os escritórios de hoje em dia, é pura coincidência. Os colaboradores passaram a contar mais nesta equação, há mais espaços de interação, mas há também phone booths ou salas de reunião quando o momento exige alguma privacidade.

João Cortes mostra protótipos

Esquisso

Marcar a diferença

Com o objetivo de desenhar escritórios verdadeiramente relevantes ao invés de espaços apenas funcionais a Openbook desenvolveu o conceito brandchitecture, “passa por perceber, sob diversos ângulos e até ao mais ínfimo pormenor o que nos é pedido. O que é aquela entidade? O que representa a marca? Qual a visão dos partners e as suas intenções” enumera o arquiteto, para quem o briefing dado pelo cliente é o ponto de partida essencial, a partir do qual se desenvolve todo o trabalho do atelier. “Quando recebemos um briefing o que fazemos é bombardeá-lo. O que é que isto quer dizer? É pôr em causa, questionar, identificar prós e contras, esmiuçar. No fundo, é olhar para ele com inquietude, porque é dessa inquietude que surgem as melhores ideias”, justifica João Cortes.

Cada caso é um caso, por isso cada projeto é visto individualmente. Veja-se o caso da Nestlé, o nome remete para Nest, que significa ninho, que lembra cor de palha, trigo, pão. “Na Nestlé não fazia sentido ter um balcão azul, mas se estivermos a falar de uma farmácia já faz. O azul transmite confiança e quando compramos medicamentos é isso que queremos” explica o arquiteto. Se estivermos a falar de uma instituição bancária, interessa transmitir confiança, mas acima de tudo solidez. É a partir da essência da marca, das cores e das intenções do cliente que é dado o tiro de partida. “Fizemos agora a sede da Caixa Geral de Depósitos e o cliente queria algo mais contemporâneo e descontraído. A receção vai ter curvas no teto e para quebrar com esse lado mais arrojado, compensámos com um balcão em pedra de sete toneladas, que remete para a ideia de solidez” adianta João Cortes para quem as redlines são essenciais, uma vez que nunca podem ser ultrapassadas. Mas para que tudo corra bem e dentro do previsto é preciso que os parceiros estejam à altura do desafio. Neste contexto, empresas como a Vector Mais são determinantes para materializar, aquilo que é a visão da Openbook para um determinado projeto.

BNP Paribas

“A inquietude, o pôr em causa sob diversos ângulos é o que nos pode levar mais longe. É o pôr em causa, que muitas vezes nos faz avançar.” — João Cortes

Criatividade, tempo e eficiência

Existem três fatores que determinam o tempo de desenvolvimento de um projeto: o cliente, os metros quadrados e o espaço. “Se houver um briefing muito bem feito, se o cliente souber o que quer, diria que o sprint para delinear o conceito é uma coisa rápida, que pode surgir em duas ou três semanas. Agora se esse conceito é apresentado, volta para trás e volta a ser ‘cozinhado’ demora um pouco mais” explica o arquiteto, que acrescenta que a Openbook ganhou o projeto da Deloitte com diversos ateliers porque, numa segunda fase, lhes foi pedido para imaginarem o que seria o lounge do partners. “Nós apresentámos, ganhámos o concurso, mas nada daquilo veio a fazer parte do projeto. Muitas vezes, o que está em jogo não é tanto a ideia em si, mas a agilidade das equipas e o talento que demonstram ter”.

Outro dos fatores considerados importantes no desenvolvimento de um projecto de arquitetura é entender as jornadas de trabalho dos colaboradores, para que o projeto corresponda às suas necessidades e expetativas. Os advogados precisam de gabinetes porque necessitam de estar isolados. Uma agência, por exemplo, vai ter muito mais interações, logo precisa de espaços para brainstorm. Lá está, cada projeto é um projeto.

Uma cadeira desenvolvida para um projeto

João Cortes

Portugalidade versus materialidade

A era dos escritórios frios e impessoais já lá vai, há muito tempo. O espaço onde trabalhamos influencia profundamente a forma como nos sentimos, pensamos e produzimos. Num contexto marcado por fenómenos como o quiet quitting (onde a pessoa trabalha, mas faz apenas o mínimo exigido, sem envolvimento adicional), a capacidade de criar espaços onde as pessoas querem estar ganhou ainda maior importância.

O escritório da Cloudflare, construído pela Vector Mais com uma área de 2.200 m², projecto da Openbook e Gensler é um excelente exemplo disso mesmo. O espaço acolhe mais colaboradores, e oferece melhores condições de trabalho. Localizado no edificio Allo reflete essa preocupação pelos ambientes confortáveis e apelativos, quer em openspace ou espaços partilhados. A materialidade e a cor assumem um papel fundamental nos interiores, quer através da utilização de azulejos, tijolos em terracota, madeira, bem como uma paleta de tons que inclui o coral, o amarelo, o azul e o verde.

A Openbook está neste momento a fazer a remodelação de uma zona da Ana Aeroportos que remete exatamente para este conceito da portugalidade. “É um painel de azulejos da Viúva Lamego com 30 metros, que fica a 2,5m de altura e vai até aos 5m. E fica no último corredor antes das pessoas embarcarem. É todo em tons de azul, do mais escuro ao tom de areia. É no fundo uma experiência e a última visão que as pessoas ficam de Lisboa, antes de deixarem a cidade” explica João Cortes para quem o cliente tem sempre a palavra final. No fundo é ele que define se há margem para ir mais além ou não. A folha de papel que estava em branco quando começou a nossa entrevista está agora com vários desenhos feitos pelo próprio.

KPMG

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